sexta-feira, 4 de julho de 2008

Certamente uma amiga - Terceiro Ato

CENA INT. APOSENTOS DE GABRIELLE. NOITE.


Gabrielle dorme espasmodicamente, se agitando e se virando várias vezes. Ela puxa o fino cobertor para cima de um dos ombros e se acalma uma vez mais, de frente para as sombras que surgem sobre ela.


Enquanto Gabrielle cai em um sono mais profundo, Xena caminha silenciosamente, se afastando da parede. A sombra projetada pelo seu corpo se torna maior enquanto ela se aproxima da cama de Gabrielle e se ajoelha, sem desviar seu olhar do rosto de Gabrielle.


Uma inquieta mão firme se estende, como se tocasse o cabelo despenteado brilhando sob a luz da tocha.


XENA
(sussurrando)
Eu também te amo, Gabrielle


Os olhos de Gabrielle rapidamente se abrem, e Xena recua quando o braço de Gabrielle vem para fora do cobertor, apanhando um dos seus sais, virados de forma letal. Mesmo ela tendo recuado, Gabrielle consegue abrir um pequeno arranhão no braço de Xena na primeira fração de segundo entre o sono profundo e a perfeita vigília.


Xena se esquiva para dentro das sombras enquanto Gabrielle pula para fora da cama, com as armas em punho. Ela imediatamente toma uma posição defensiva, segurando o sai para cima e colocando uma das mãos na frente de si. Ela olha cuidadosamente para o canto escuro e vagarosamente abaixa sua mão e sua mente percebe o que ela acabou de fazer, e a quem.


GABRIELLE
Xena?


Um estranho zumbido ressoa em seus ouvidos, e ela percebe que é o sangue se movimentando na sua cabeça. Ela oscila por um momento, então se estabiliza novamente, ainda olhando fixamente para as sombras. Ela pisca rapidamente, como se quisesse se convencer de que o que ela vê está ali, e não é simplesmente uma invenção da sua imaginação. Ou um sonho.


GABRIELLE
(continua)
Xena?


Xena começa a caminhar das sombras, mas algo a segura. Seus olhos estão preocupados, mas atentos.


GABRIELLE
Por favor, Xena.
Por favor... deuses... diga algo.
Qualquer coisa.

XENA
(sussurrando)
Gabrielle.


Gabrielle vacila levemente ao som de seu nome pronunciado pela sua alma gêmea. Então ela se endireita, ainda fixa em seu lugar, por incerteza.


GABRIELLE
Eu estou sonhando?

XENA
(doce)
Não. Você não está sonhando.


Gabrielle ofega e cobre sua boca com a mão enquanto lágrimas saltam de seus olhos.


GABRIELLE
Mas como? Por quê?


Xena dá um pequeno passo até a luz. Seu rosto está sombrio, mas seus olhos brilham de amor.


XENA
Porque você pediu.
(pausa)
E porque eu te amo.


Vendo Gabrielle ainda paralisada, ela dá outro passo e segura sua mão.


XENA
(doce)
Está tudo bem.

GABRIELLE
Eu… não posso...


Ela pára abruptamente de falar quando seus olhos focalizam uma pequena gota nos panos da camisa que Xena está vestindo. Seus lábios se movem, mas sem som, a não ser por um rápido influxo de respiração que emerge.


XENA
(preocupada)
Gabrielle?


Ainda em silêncio, Gabrielle estreita a distância entre elas, e alcança a gota na roupa de Xena. Ela tira seus dedos vagarosamente e os leva para cima, para a luz, esfregando-os com o polegar. Como que em um transe, ela os leva devagar até a boca e os experimenta.


Ela olha então para cima, seus olhos brilhando com uma mistura de emoções impossíveis de nomear.


GABRIELLE
Xena?

XENA
(sussurrando)
Sim?

GABRIELLE
Fantasmas não sangram...
(pausa)
Sangram?


Os olhos de Xena se fecham por um momento e, quando se abrem novamente, eles estão repletos de lágrimas não vertidas.


XENA
Não. Não sangram.


Xena nem tem tempo de se apoiar completamente antes de seus braços estarem preenchidos pela Gabrielle. Ela dá um passo para trás e apóia as duas contra o sólido suporte da parede e envolve sua alma gêmea em um abraço repleto de ternura e devoção. Pousando sua bochecha no cabelo de Gabrielle, ela fecha fortemente seus olhos como se sentisse através dela os soluços estremecidos do choro de Gabrielle.


Gabrielle se aperta mais fortemente contra o corpo de Xena, o máximo que ela pode, sem se importar com as roupas incomuns nem com o cheiro que elas ainda carregam. Sua orelha é pressionada contra o peito de Xena e, por sobre seus próprios soluços, ela pode ouvir um som que ela achou que nunca ouviria novamente: A batida do coração de Xena, forte e firme em seu ouvido, provando, sobretudo, que a mulher que ela abraça tão ferozmente está realmente viva.


Depois de um momento longo e emotivo, Gabrielle se afasta levemente e inclina a cabeça para cima, cegamente procurando, enquanto sua mão sobe por dentro dos cabelos de Xena. Seus lábios se encontram tão ferozmente quanto o abraço de seus corpos, reafirmando a conexão que existia além da morte e da vida.


Com as respirações levemente desencontradas, elas se afastam. Gabrielle dá meio passo para trás, enquanto Xena permanece contra a parede, observando.


Levantando suas mãos, Gabrielle usa apenas a ponta de seus dedos para tocar o rosto de Xena, como se para memorizar suas sobrancelhas, suas bochechas, o formato de seus lábios. Seus dedos se arrastam pelo pescoço de Xena, descendo até o centro de seu peito, e vão parar em sua cintura.


GABRIELLE
(sussurrando)
Eu não acredito que você está aqui. Viva.

XENA
(meio rouca)
Gabrielle, há coisas que eu
preciso te contar. Eu...

GABRIELLE
Não, Xena. Não. Não agora.

XENA
Nós temos que conversar. A situação...


Gabrielle cobre os lábios de Xena com seus dedos, silenciando-os.


GABRIELLE
...terá que esperar.


A expressão de Xena se suaviza, em sinal de compreensão. Gabrielle passa os dedos pelos lábios de Xena, depois vira o nó dos dedos para poder sentir a respiração de Xena contra eles. Um sofrido sorriso trêmulo aparece no rosto de Gabrielle.


GABRIELLE
(continua)
Minha alma acaba de sair das sombras.
A vida precisa retornar e me deixar saboreá-la.


Xena coloca seus braços em volta de Gabrielle. Ela pode sentir Gabrielle tremendo. Gabrielle deita sua cabeça e pressiona seu ouvido contra o peito de Xena para ouvir as batidas de seu coração. Xena fecha os olhos e acaricia o cabelo de Gabrielle.


XENA
Neste caso, nós bem que podíamos ficar mais confortáveis.


Gabrielle concorda, então levanta sua cabeça e elas caminham até o leito, jogando-se nele juntas enquanto Xena puxa as cobertas em torno delas.


FADE TO:


CENA INT. APOSENTOS DE GABRIELLE. MANHÃ.


Gabrielle está deitada na cama, sua cabeça apoiada em uma das mãos, observando com prazer enquanto Xena veste sua habitual roupa de couro e sua armadura.


Xena olha para sua parceira enquanto ela desliza a alça pelo seu ombro. Ela lhe dá um sorriso inquisidor.


XENA
Que foi?

GABRIELLE
É bom saber que os sonhos podem se realizar.


XENA
(sorrindo)
De vez em quando eles se realizam.
(pausa)
Eu fico feliz de você ter guardado minhas roupas.

GABRIELLE
Eu queria mais do que um vaso de cinzas.
Eu precisava de algo mais do que isso.


Xena podia ver que Gabrielle estava para chorar. Ela se juntou a ela, sentando-se na cama e esfregando o braço dela de uma maneira confortante.


XENA
Eu entendo.
E eu sei que nós temos muito ainda o que tratar.

GABRIELLE
Ó sim, Xena, isso vai requerer
uma LONGA conversa.

XENA
Várias delas, tenho certeza.

GABRIELLE
Algumas.
Mas agora...

XENA
(sorrindo)
Agora nós temos um trabalho a fazer?

GABRIELLE
Sim.
Isso me lembra de uma coisa!


Xena sorri quando Gabrielle pula da cama e se dirige a seus pertences. Da bolsa ela puxa o vaso e o coloca na mesa. Xena se arrepia um pouco, mas continua observando Gabrielle. Ela remove algo e o segura perto de seu peito, respirando fundo e se virando para entregar o CHAKRAM para Xena.


GABRIELLE
Eu acho que isso pertence a você.


Xena olha para a arma, na mão de Gabrielle, hesitando por um momento apenas antes de se dirigir até lá. Ela olha para Gabrielle, que sorri e oferece a arma mais uma vez. Xena enxuga suas mãos nervosamente na sua roupa de couro, então vagarosamente agarra o chakram, suspirando alto quando vê que sua mão não passa através dele.


Gabrielle ri, lágrimas vêm a seus olhos quando Xena toma o chakram e coloca-o na sua cintura, onde ele adequadamente pertence.


XENA
Eu tenho que dizer que isso me faz sentir bem.

GABRIELLE
E fica bem também.


Gabrielle se arremessa para frente e coloca seus braços em volta do pescoço de Xena. Xena devolve o abraço.


GABRIELLE
Obrigada.

XENA
Pelo quê?

GABRIELLE
Por voltar pra casa.


Ambas levantam os olhos quando ouvem o som de passos correndo na direção delas. Zenobia e dois de seus GUARDAS entram apressadamente.


ZENOBIA
Gabrielle! Amun sumiu! Eu temo que ele tenha sido...


Suas palavras cessam abruptamente quando ela vê sua suprema comandante militar nos braços de uma guerreira alta e severamente armada.


ZENOBIA
Gabrielle? O que está acontecendo aqui?!

GABRIELLE
(encabulada)
Eu posso explicar.

ZENOBIA
(interrompendo Gabrielle)
Guardas!

GABRIELLE
ESPEREM!


Os guardas param ao comando de Gabrielle. Eles olham para a Rainha, confusos.


GABRIELLE
(continua)
Zenobia, por favor. Não há perigo.
Esta é... meio difícil de explicar, na verdade.


Zenobia estreita os olhos.


GABRIELLE
(continua)
Zenobia, esta é Xena.
Xena, conheça a Rainha Zenobia.


O queixo de Zenobia cai e ela encara as duas com uma evidente descrença.


ZENOBIA
Você disse que ela estava morta!

XENA
(secamente)
Eu melhorei.

ZENOBIA
Isto é... impossível.

GABRIELLE
Eu admito que parece ser mesmo, sim.
Eu mesma ainda estou tentando me acostumar, mas
acredite em mim quando eu digo, Zenobia, que
esta não é a primeira vez que nós estivemos
envolvidas nesse impedimento particular.

ZENOBIA
Explique-se.

GABRIELLE
(estremecendo)
Como eu disse, é meio difícil de explicar, mas
morrer, e voltar, não é algo com o qual nós
estejamos totalmente desacostumadas.

ZENOBIA
(sem acreditar)
Você está seriamente tentando me dizer que
isso já aconteceu com vocês antes?

GABRIELLE
Mais de uma vez.


Zenobia olha como se quisesse discutir mais sobre isso, mas a absoluta sinceridade nos olhos de Gabrielle a convence da verdade mais do que quaisquer palavras poderiam fazer. Ela balança a cabeça achando tudo isso muito absurdo, mas não pode fazer nada além de acreditar.


ZENOBIA
Ótimo. Digamos que você esteja dizendo a verdade,
como exatamente você chegou até aqui, Xena?

XENA
Eu vim pra cá porque Gabrielle estava aqui.
Quanto a ‘como eu recuperei minha vida’, eu usei
meus poderes de persuasão em meu benefício.
Eu fui até Lúcifer e o convenci a me ressuscitar

ZENOBIA
(para Gabrielle)
Este não é o mesmo Lúcifer do qual você me falou?
Aquele que está por trás do ataque a esta cidade?

GABRIELLE
(doce, suas suspeitas confirmadas)
Sim.

ZENOBIA
GUARDAS!

GABRIELLE
Espere! Por favor, deixe-a terminar.


Os olhos de Zenobia assentiram, com relutância.


XENA
Ele não se importou muito com o jeito
que seu povo derrotou as tropas dele.
Ele me mandou aqui em cima para dar uma mão.


ZENOBIA
Então você está usando seus ‘poderes de
persuasão’ para virar Gabrielle contra nós?

GABRIELLE
Zenobia! Isso não é justo.

ZENOBIA
Não é? Eu entro aqui e encontro você nos braços
da mulher que você veio pranteando desde antes
de você colocar os pés dentro da minha cidade.
Uma mulher que abertamente admite que foi
ressuscitada por ordem do inimigo contra o qual
nós estamos atualmente lutando. O que você
queria que eu pensasse, Gabrielle?

GABRIELLE
Que eu estou te dizendo a verdade.
Zenobia, eu nunca menti pra você.

ZENOBIA
(doce)
O amor às vezes nos faz fazer coisas
que de outro modo não faríamos, Gabrielle.

XENA
Eu menti para você por um instante,
mas ela nunca mentiria.

ZENOBIA
(considerando)
Talvez não, mas...


A Rainha sinaliza para os guardas, que se posicionam aos lados de Xena e Gabrielle.


GABRIELLE
(olhando para os guardas)
Vocês estão brincando, não é? Vocês não percebem que
se Xena realmente estivesse aqui para nos sabotar
ela já não teria feito isso? Ela veio andando até aqui.
(olhando para Xena)
Ativou minha armadilha de flechas.


Xena olha para o teto, tentando parecer inocente.


GABRIELLE
Capturou Amun...
(dando-se conta do que acabou de dizer)
Xena?

XENA
Sim?

GABRIELLE
Onde está Amun?

XENA
(timidamente)
Eu tive que escondê-lo.
Ele está bem. Apenas dormindo.


Zenobia esfrega a testa, depois olha de novo para elas.


ZENOBIA
Eu devia colocar as duas na cadeia.
(suspirando)
Mas, eu temo que, se Xena está aqui em obediência
ao demônio Lúcifer, as tropas dele poderiam
simplesmente nos aniquilar. E eu sou sábia o suficiente
para saber que, se ela não está, então nós temos uma
chance muito melhor de derrotá-lo com a ajuda dela.

XENA
Por isso que eu estou aqui.
Eu quero ajudar vocês.

ZENOBIA
Então eu acho que não tenho muita escolha.
De qualquer forma, eu certamente não estou
muito confortável com esta mudança de eventos.
Se eu chegar a ver uma coisa, uma coisinha sequer,
que me faça acreditar que você não está sendo
sincera, eu não hesitarei em fazer o que quer
que seja necessário para parar você.

XENA
Compreensível. Eu não poderia esperar menos que isso.


Zenobia olha para Gabrielle, com a frustração diante da situação claramente escrita em seu rosto.


ZENOBIA
Eu estou confiando em você, Gabrielle.
Não faça eu me arrepender disso.

GABRIELLE
Nós não faremos. Eu prometo.


Zenobia assente e se vira para deixar o quarto, levando seus guardas com ela. Assim que ela sai, Gabrielle circunda Xena, com as mãos nos quadris dela.


GABRIELLE
Agora, você quer me dizer a real verdade
sobre seu pequeno pacto com Lúcifer?

XENA
Aquela foi praticamente toda a verdade.
Eu só deixei de fora um pequeno detalhe.

GABRIELLE
Sim?

XENA
Eu deveria matar você, voltar para o Inferno,
tornar-me a segunda no comando e aprisionar
sua alma antes de você conseguir ir pro céu, pois
assim eu poderia ter você do meu lado para sempre.

GABRIELLE
Ó, isso é tudo?

XENA
Praticamente, sim.

GABRIELLE
Bem, mas você não pode capturar
o que já é seu, pode?

XENA
(chocada)
Ainda?

GABRIELLE
Sempre.


Gabrielle sorri amplamente ao ver que deixou sua parceira sem palavras.


GABRIELLE
(continua)
Vamos lá. Vamos mostrar a eles como a
Princesa Guerreira e a Guerreira Poetisa
ganham guerras e influenciam as pessoas.


Alegremente dando as costas para Xena, ela deixa o quarto, enquanto Xena olha fixamente para ela, sorrindo atravessado e balançando a cabeça.


CORTA PARA:


CENA INT. APOSENTOS DE LUCIFER.


Lúcifer se senta no seu recém restaurado trono, observando pelo seu portal privativo. A imagem oscila constantemente entre a claridade do cristal e a confusão estática. Rosnando, ele dá uma bela de uma pancada no lado do portal, e a imagem se estabiliza por um breve momento, antes de ficar borrada e distorcida de novo.


LUCIFER
Eu não estou me divertindo.


Parados na porta, dois GUARDAS tremem de medo. Eles passaram a maior parte de sua pequena eternidade juntando as peças dos últimos dois demônios que guardavam a sala, e eles não estão tão ansiosos para serem os próximos.


LUCIFER
(continua)
Beezel!


O guarda da esquerda engole seco.


BEEZEL
Sim, Majestade?


LUCIFER
Venha até aqui.

BEEZEL
Sim, Majestade.


Um canto fúnebre toca enquanto Beezel vagarosamente caminha pelo chão, com a cabeça baixa.


LUCIFER
Fique perto do portal.

BEEZEL
Sim, Majestade.

LUCIFER
Agora levante os dois braços, assim.

BEEZEL
Assim, Majestade?

LUCIFER
Não, seu tolo! Você é tão cego quanto é burro?
Assim!
(demonstrando)
Ah, perfeito. Agora coloque para a direita assim.

BEEZEL
Colocar o quê, Majestade?

LUCIFER
(rosnando)
Não - mova - um - dedo.

BEEZEL
Sim, Majestade.


A recepção do portal imediatamente se clarificou, e Lúcifer se inclinou para frente, com uma precaução evidente na sua postura. Enquanto a imagem aumentava de zoom, seus olhos se estreitavam, e seu rosto começou a tomar a cor das chamas infernais que o circundavam.


LUCIFER
MALDITA!!!

BEEZEL
Maldita quem, Majestade?

LUCIFER
Ó Xena, Xena, Xena. Você realmente
acha que pintar esses tórridos símbolos
religiosos nas portas do túnel serão
suficiente para me manter longe de você?
(pausa)
Se você sequer pensar em me tapear,
os sete níveis de meu domínio parecerão
um paraíso comparado com o que eu terei prazer
de fazer com você por toda a eternidade.
(pausa)
Beezel!

BEEZEL
Sim, Majestade?

LUCIFER
Chame meus soldados. Eu posso ter
um trabalhinho para eles em breve.

BEEZEL
(agradecido)
Sim, Majestade.

FADE OUT.

FIM DO TERCEIRO ATO

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